O que dizem de nós

 

A importância das línguas estrangeiras, por António Pimenta

 

Há dias solicitaram-me uma pequena intervenção na sessão de entrega de diplomas aos melhores alunos de uma conhecida escola de línguas, aproveitando a minha condição de quadro bancário. Achei estranho este convite porque não sou especialista em línguas e é óbvio o interesse no conhecimento de línguas estrangeiras.

Sendo óbvio este interesse, não se justificaria falar dele. Se toda a gente o entende, não se torna necessária qualquer explicação. De repente, percebi que o convite era bem mais profundo do que inicialmente admitia. Talvez não seja óbvio para toda a gente, por isso o óbvio deve ser dito. O conhecimento das línguas tem a ver com a comunicação, com o entendimento entre os povos, com o processo da globalização.

A globalização, na sua vertente atual, tem pouco mais de 20 anos. A revolução tecnológica nas comunicações e na eletrónica permitiu a “reorganização do mundo em blocos comerciais, não ideológicos, a homogeneização dos centros urbanos, contribuindo crescentemente para a mistura de culturas locais com uma cultura universal”.

Assim, “a aprendizagem de línguas estrangeiras é um pré-requisito essencial para o acesso ao conhecimento e um fator favorável à mobilidade pessoal e profissional. A par do domínio da língua materna, a capacidade de comunicar em outras línguas é, no mundo interdependente em que vivemos, uma mais-valia para o exercício da cidadania de forma ativa e participada, pois que não se confina, hoje, às fronteiras nacionais. Além disso, o domínio de competências de comunicação em várias línguas potencia o alargamento das nossas mundividências, pois permite o acesso a outras culturas, outros valores, modos de viver e pensar” (DGIDC/Ministério da Educação/Línguas estrangeiras).

Das estatísticas disponíveis, verifica-se que as línguas mais faladas no mundo são, em primeiro lugar, o chinês, com 845 milhões de falantes, seguindo-se o espanhol, com 329 milhões de falantes, o inglês, com 328 milhões e o português com 240 milhões de falantes (observatório de 2010). Significa isto que, quem conseguir dominar estas quatro línguas, terá sucesso assegurado no entendimento com quase todo o mundo.

Se atendermos às línguas mais utilizadas na internet, verifica-se uma inversão importante: o inglês é a língua mais utilizada, com 536,6 milhões de utilizadores; a segunda língua é o chinês, com 444,9 milhões de utilizadores; seguidos do espanhol, com 153,3 milhões; o japonês, com 99,1 milhões e o português, com 82,5milhões.

O inglês é a língua dos estudos, das viagens, dos negócios, da comunicação em todo o mundo. Aceita-se facilmente que, com a evolução dos mercados emergentes, outras línguas se tornem mais influentes, como são o caso do mandarim e do espanhol. Mas o inglês conseguiu introduzir-se na nossa linguagem do dia a dia, como são exemplos, shopping center, fashion, fast food, light, chessburguer, internet, outdoor, playstation, download, baby, look, e-mail, entre muitas outras que utilizamos.

Na área do trabalho, a existência de uma segunda língua permite vantagens evidentes na conquista de vagas com remuneração acima da média. Na atual situação de desemprego, as competências passam muito pelo conhecimento de outras línguas, permitindo a mobilidade para qualquer país.

Na investigação científica, é impossível o desenvolvimento de quaisquer atividades se não houver o domínio de, pelo menos, a língua inglesa, sem a qual são reduzidas as possibilidades de publicação dos respetivos trabalhos

No atual ensino universitário, muito dificilmente um diploma será possível obter sem o conhecimento da língua inglesa – crescentemente, as aulas são dadas em inglês e a bibliografia utilizada também.

No mundo dos negócios, o desconhecimento de outras línguas não favorecerá o sucesso. No processo de globalização, os mercados são abertos, a produção e o consumo realizam-se independentemente. O empresário tem de procurar os seus fornecedores e os seus clientes nos locais mais díspares. Para os quadros da sua empresa deve procurar as pessoas certas, em termos de conhecimentos técnicos, maturidade e motivação, mas essencialmente, como suporte, o conhecimento de línguas estrangeiras, particularmente o inglês.

Tal como em qualquer outro curso, também na aquisição de conhecimentos de línguas devem ser escolhidas as escolas que prestam o melhor serviço, o ensino de qualidade, responsável, rigoroso e com elevada exigência.

 

Santarém, 7 de Setembro de 2012

António Pimenta

 

 

 

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